sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma noite no PC . . .

O Geográfo - à procura por conhecimento
Quando pensamos em descansar sempre nos imaginamos num lindo cenário de tranquilidade e solidão, parece estranho a forma de queremos um repouso longe de tudo.
No entanto, a solidão que responde as nossas preces de mente calma e silenciosa torna-se a vilã dos sentimentos.
Olhe a sua volta e perceba a tristeza de estar sozinho.
Pensando nisso (e pra não piorar a condição tendenciosa à depressão) buscamos nos detalhes o refúgio da sanidade. Uma simples formiga levando sua carga preciosa pode ser a mais alta aventura que um solitário vislumbará. Pense em quantas perguntas podem ser feitas e respondidas, onde será sua colônia? Porque faz um caminho tão complicado? Como não se perde das outras? Entre tantas outras que deverão surgir agora que tem um alvo.
Enquanto procuramos as aventuras, surgem em nosso caminho as desventuras. Situações complicadas que devem ser tratadas de modo cuidadoso, pois são através das nossas reações que definirão a postura que temos em nossa vida.
Bom ou Ruim.
São com essas posturas que nos enxergam, como respondemos a tudo em nossa volta. Até mesmo o quanto é tediante ler essas palavras e assim mesmo não conseguimos simplismente parar, pois saberei se é pra minha vida quando terminar de ler todo o conteúdo.
Assim é em nosso caminho da vida, em nossos descansos, em nossas aventuras e desventuras.
Somente saberei que é pra minha vida se souber o que é e compreender aquilo que é. (Filosofia mode ON)
Por esse motivo passar uma noite no PC descobrindo as infinitas possibildiades que nos disponibilizam é uma grande aventura e desventura.
Continue buscando, criando, observando e reagindo à vida.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Uma carta de natal

Encontrei essa carta que escrevi para ler na ceia de Natal de 2013 (ano passado), não sabia que podia escrever palavras bacanas como essas:

O VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL

Boa Noite a todos.
A todos que cederam um pouco do seu tempo pra fazermos dessa noite uma boa lembrança para nossas vidas. Lembranças que devem ser vividas em família como esta aqui presente.
Enquanto escrevia essas palavras, tentei colocar aqui o que poderia ser uma boa mensagem de natal. Lembrei que podemos sim colocar em um pedaço de papel o que sentimos, mas nunca vamos demonstrá-lo tão bem quanto a vivência das emoções.
Então, como podemos viver essas emoções em um momento com esse? Simples!
Deixe-me ver se o espírito do Natal já está nessa casa. Não, não quero ver a árvore iluminada na varanda, nem quero saber quanto você já gastou em presentes.
Quero, sim, sentir no ambiente a mensagem viva do aniversariante de dezembro: comemorar a união e amor por todas as famílias, hoje reunidas em seu Nome.
E o perdão já eliminou aquelas desavenças que ocorrem no calor das nossas vidas?
Não quero ver seus armários cheios, quero saber se você conseguiu doar alguma coisa do que lhe sobra, para quem tem tão pouco, às vezes nada.
Não precisa exibir os presentes comprados, mesmo com sacrifício; quero ver aí dentro de você a preocupação com aqueles que esperam tão pouco, uma visita, um telefonema, um sms, um e-mail...
Quero ver o espírito do Natal entre esses pais que descobrem tempo para os filhos, em amigos que se reencontram e podem parar para conversar, no respeito do celular desligado durante um lanche com a família, na gentileza de quem oferece o banco para o mais idoso, na paciência com os doentes, na mão que apoia o deficiente visual na travessia das ruas, no ombro amigo que se oferece para quem anda meio triste, perdido, louco.
Quero ver o espírito de Natal invadindo as ruas, respeitando os animais, a natureza que implora por cuidados tão simples, como não jogar o papel no chão, nem o lixo nos rios.
Não quero ver o Natal nas vitrines enfeitadas, no convite ao consumo, mas no enfeite que a bondade faz no rosto das pessoas generosas.
Por fim, mostre-me que o espírito do Natal entrou definitivamente na sua vida, através do abraço fraterno, da oração sentida, do prazer de andar sem medo da vida, do riso franco, do desejo sincero de ser feliz e, de tão feliz, não resistir ao desejo de fazer outras pessoas também felizes.
Vamos deixar o Natal invadir a sua alma, entre os perfumes da cozinha que vai se encher de comidas deliciosas, no cheiro da roupa nova que alguns vão exibir, abrace-se à essa família e (por favor) façam alguns minutos de silêncio, que será como uma oração do coração, que vai subir aos céus, e retornar com um presente eterno, duradouro: o suave perfume de Cristo em nossas vidas, perfume de paz, amor, harmonia e a eterna esperança de que um dia todos os dias serão como os dias de Natal. Feliz Natal! 






ORAÇÃO
Senhor, nos reunimos hoje aqui para cear, porque numa noite como esta, há muito tempo quiseste ser uma criança com nome e apelidos entre as crianças da Terra.
Abençoa a nossa mesa. Ao menos por uma noite, gostaríamos que o Mundo fosse uma grande Família: Com um pouco mais de música e muito mais justiça. Que ao menos esta casa, Senhor, acolha a Tua palavra de amor e perdão.
Conserve essa família unida. Dá-nos pão e trabalho durante todo o ano.
Dá-nos força e ternura para sermos pessoas úteis que lutem por um Mundo onde haja dias bons e muitas coisas boas como esta em que quiseste nascer entre nós.
Senhor, Tu serás bem-vindo a esta casa, até que um dia nós possamos nos reunir na tua.

Amém!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Momentos . . .

Quando olho as estrelas nuas na noite fria percebo seu briho natural.
Onde estará o meu?
Continuo a caminhar numa estrada fria e escorregadia.
Cada pedra me faz chegar perto do chão,  levantar é quase impossível quando sinto o cheiro de terra.
Vontade de ficar ali e voltar a contemplar o céu com suas naturais misturas de cores e brilhos.
Deitada num chão lamacento a ver estrelas percebo minha grande inutilidade. O que devo fazer pra brilhar pra alguém?
Levanto e olho pra frente de minha estrada, já não reconheço seus detalhes.
O caminho muda por toda sua extensão, sinto frio.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Grandes palavras, pequenas ações . . .

"Torne-se aquilo que deseja pra os outros" - escutei essa afirmação da sombra que vive espreitando as colunas da faculdade. Jeito estranho de dizer que quer ser maltratado, ser polido pela sociedade de forma masoquista.
Quando nossos desejos são expostos, acabamos por mostrar as entranhas de podridão que habita a alma. Tudo que vemos de ruim fica marcado em cada ação involuntária do corpo.
Prefiro acreditar que podemos nascer do jeito que desejamos para o mundo com grande ajuda de nossos educadores. Formam a ética e caráter da alma e do coração.
Só precisamos ter consciência do quanto somos capazes disso.

Mentiras . . .

Abra uma lacuna na imensa cortina de sua imaginação, procure encontrar tudo pronto para as fantasias idealizadas e incansavelmente treinadas para não haver erros.
Coloque na realidade o que deseja que seja tomado como verdade - normalmente funciona - e todos estão felizes com a doçura e delicadeza dessa farsa que envolve seus olhos.
Todos estão acostumados com esses cenários e atores, quando percebem que o palco é feito somente pra impressionar ficam chocados com a realidade.
Máscaras e luzes são deixadas de lado, fecham as cortinas e acendem as luzes. Tudo criado nesse palco é deteriorado com cinzas e lágrimas.
A dor da sinceridade é a mais verdadeira e - com certeza - a mais dolorosa que rasga a alma.
Volte logo para o camarim e prepare novo personagem, sua platéia está ficando entediada.
Comece novo show e aguarde os aplausos.
Os meus cessaram faz tempo - agora recebo as flores.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

EU SOU . . .

EU ESCUTEI A HISTÓRIA,E

EU ACOMPANHEI A DOR,

EU ESTAVA LÁ NOS PENSAMENTOS.

TAMBÉM FUI PRA CADEIA SEM SABER O QUE ERAM GRADES.

EU SOU FILHA DE UMA TESTEMUNHA DA HISTÓRIA


""Dizem que quem não conhece a sua história, está condenado a repeti-la. Eu sempre fui apaixonado pela história, pela evolução dos modos de produção, pelas lutas de todos os povos por sua liberdade.
Eu me emociono quando leio Camões e o sacrifício daqueles que navegaram para o Brasil, “navegar é preciso”. Quando ouço a história dos escravos e quilombolas, das mãos que foram acorrentadas e trazidas contra sua vontade para construir a riqueza desta terra.

Desde a escola aprendemos sobre a luta pela liberdade dos escravos, pela república, e lá mesmo conhecemos nossos heróis: Zumbi, Tiradentes, Chico Mendes. Todos cidadãos brasileiros que não tiveram medo de colocar sua vida em risco por um ideal, um Brasil mais justo.

Na escola também aprendi nosso hino e sinto no peito quando canto “verás que um filho teu não foge à luta”. Sabemos desde pequenos que, aqueles que colocam o bem estar do país acima do seu próprio, são heróis.

Não é segredo que nossos heróis foram perseguidos e transformados em criminosos, caçados ou mortos. Por isso mesmo, é impossível não se lembrar da ditadura militar. Quando uma pátria estrangulada pediu ajuda para seus filhos, que não fugiram e colocaram o bem estar de sua mãe, acima do seu.

Muitos foram torturados, muitos foram mortos. Jovens de 19 anos foram considerados criminosos perigosos e tratados com os rigores de um país sem lei, que aprendeu técnicas cruéis para arrancar confissões. Aqueles mais fortes agüentaram e se apoiaram em sua convicção para suportar tal violência.

Esses heróis sofreram para hoje não precisarmos calar a nossa voz. 
É possível pensar nisso sem que lágrimas venham aos nossos olhos? É possível escrever um blog ou um texto de denúncia sem lembrar daqueles que lutaram para isso?

Eu não consigo, pois também , nos meus 19 anos,servia ao Exército Brasileiro,  amarguei 41 dias de xadrez, simplesmente, por ter manifestado meu ponto de vista sobre o sistema que nos governava.

Não posso cometer o erro de ignorar a minha história, e quem sabe ter responsabilidades. O saber liberta e só existe liberdade com consciência.

Hoje recebo críticas, olhares de reprovação,  ironias de pretensos “sábios”,  e-mails criminalizando e ofendendo quem lutou para que eu estivesse aqui esinto medo de ainda estar na ditadura. Não na sua gestão de governo, mas na ditadura das mentes.

Vejo homens, que se dizem de bem, se levantando para apontar o dedo para aqueles que do seu sangue tiraram a nossa democracia. Vejo homens de Deus apontando o dedo para seus irmãos e dizendo que a violência contra eles é aceitável, que nossos companheiros não tem direitos por serem diferentes. Vejo a opinião pública se voltar contra as mulheres, com uma visão que minimiza o corpo delas a um objeto.

Porém, dentro do peito, eu sorrio e me encho de força, vejo que o dia da eleição chegou e o povo me mandou um recado dizendo “ levante sua voz sedenta e recomece andar, não pense que a sua cabeça agüenta se você parar”. Lembrei-me que somos uma democracia. Vejo que votamos em Dilma Rousseff.

Lembro que ainda há tempo de mostrarmos que não estamos mais em uma ditadura do pensamento, que podemos, enfim, acolher nossos heróis. Lembro que podemos fazer as pazes com nossa história e falar em alto e bom som que, terroristas são aqueles que usam o seu poder para ofender e enganar.

E finalmente, lembro que meu voto foi um abraço e um sorriso para essa mulher guerreira que lutou por mim, mesmo sem saber quem eu era. O meu voto, além de ser a aprovação de 28 milhões fora da miséria, é o voto de agradecimento aos meus antepassados e sua luta.

Quando tivemos uma mulher no governo do Brasil foi assinada a Lei Áurea.

Hoje precisamos libertar o nosso povo que disfarçados de cidadãos ainda são escravos da miséria, um grilhão tão cruel quanto.

Pela erradicação da miséria, pelo Brasil mais justo, pela luta de Zumbi, pela luta da independência, pelos heróis anônimos das revoltas populares, por nossos companheiros que lutaram na ditadura, pelos muitos que morreram, nesses últimos anos elegi a minha história.

É verdade, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”  Viva a história de luta do verdadeiro cidadão brasileiro.""

- Cleutemberg, em um domingo qualquer.

Registro aqui o conhecimento e todo o o contexto histórico que transformou meu velho pai em cidadão.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Caindo . . .

Quando passamos a perceber o quanto somos substituíveis, mais queremos demonstrar nossa inutilidade. A sinceridade entra em nossos corações como um cravo, rasgando e dilacerando cada fibra de nossa musculatura.
Olhamos para nossos feitos e não encontramos quem somos, como chegamos ao ponto de ficarmos desfigurados no espelho?
Coloque suas suplicas nas margens desse rio corrente e cristalino, perceba que são meras ondas que refletem a luz externa e nunca você mesmo.
A verdade já não compõe nossa história e nossas necessidades.
Encontre a verdade olhando para o céu azul.
Refletirá tudo que menos almeja e mais necessita para respirar.
Quanto mais longe quer ficar da desgraça e vergonha, mais atraente ficará nossas fraquezas.
A fina corda que nos amarra a realidade é rompida por um grito de horror.
O medo de sempre estar na escuridão quebra o silêncio, não transpassa para o brilho do céu.
Coloque a vontade de ser verdadeiro com a necessidade de estar na Verdade.
Nunca se sentirá sozinho ou abandonado, mas também sempre estará na vergonha e desGraça do humanamente possível.
Estendemos a mão para não irmos tão fundo na humilhação de sermos humanos e errantes.
Quem estará pronto a assumir o perigo e risco de nos juntar do abismo?
Como seremos gratos ao que evitamos?
Assuma a escuridão do coração dilacerado e renove a vivência da Verdade no azul acima de sua cabeça.
Será que podemos?
Será que MERECEMOS?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Chuva . . .

Mais uma vez me vejo na chuva, na rua, nua. 
Sem alma para vender, com lábios costurados sem nada a pronunciar. 
O gozo da água escorre nos olhos camuflando a dor da ausência, sinto a calma das nuvens.
Preenchem o céu, escondem a confidente da noite e as companhias brilhantes.
No caminho deserto encontro a morte, nem me olha.
Como sua companhia seria bem vinda, mas não posso chama-la.
Como todos, deve entrar no meu caminho e querer estar lá.
Em grandes correntes no peito, puxo as pescarias feitas pelo olhar e grandes sorrisos.
As mãos, envelhecidas e escuras de terra, tateiam o corpo a procura de conforto.
Uma luz, temporária, engana a vista com esperança envaidecida.
Trocamos olhares.
Me aquece, enxuga o corpo molhado, me faz sentir o peso e a leveza do orgasmo.
Volta com sua fumaça embranquecendo o ambiente.
Respirar não é mais possível.
Compartilha suas vontades, esconde seus batimentos.
Segue.
Volto a olhar a chuva e seus pingos cada vez mais grossos.
A queda desse líquido sobre os seios limpa os desejos.
Enfim, novamente só.
Puxo os grilhões, balançam delicadamente sem machucar.
Respingam um doce melado que arde na pele.
Sorrisos e gargalhadas enchem o caminho de sons deliciosos.
A chuva diminui seus pingos para escutar melhor a sutileza das palavras.
Escuto, longe e loucamente desesperada, palavras que iluminam os céus.
A confidente desfalece, a companhia brilhante diminui.
Das correntes seguem imagens distorcidas e coloridas.
Os lábios, já abertos de satisfação, pronunciam a felicidade.
"Levanta e me ama"
Desvio o olhar.
O caminho escurece e começa a chover novamente.
Contudo, sempre poderei encontrar a luz e felicidade nos grilhões.
Vão de meu coração até os olhos e sorrisos brilhantes das imagens coloridas a minha frente.
Estarão sempre me guiando para longe da estrada escura.