segunda-feira, 11 de novembro de 2013

EU SOU . . .

EU ESCUTEI A HISTÓRIA,E

EU ACOMPANHEI A DOR,

EU ESTAVA LÁ NOS PENSAMENTOS.

TAMBÉM FUI PRA CADEIA SEM SABER O QUE ERAM GRADES.

EU SOU FILHA DE UMA TESTEMUNHA DA HISTÓRIA


""Dizem que quem não conhece a sua história, está condenado a repeti-la. Eu sempre fui apaixonado pela história, pela evolução dos modos de produção, pelas lutas de todos os povos por sua liberdade.
Eu me emociono quando leio Camões e o sacrifício daqueles que navegaram para o Brasil, “navegar é preciso”. Quando ouço a história dos escravos e quilombolas, das mãos que foram acorrentadas e trazidas contra sua vontade para construir a riqueza desta terra.

Desde a escola aprendemos sobre a luta pela liberdade dos escravos, pela república, e lá mesmo conhecemos nossos heróis: Zumbi, Tiradentes, Chico Mendes. Todos cidadãos brasileiros que não tiveram medo de colocar sua vida em risco por um ideal, um Brasil mais justo.

Na escola também aprendi nosso hino e sinto no peito quando canto “verás que um filho teu não foge à luta”. Sabemos desde pequenos que, aqueles que colocam o bem estar do país acima do seu próprio, são heróis.

Não é segredo que nossos heróis foram perseguidos e transformados em criminosos, caçados ou mortos. Por isso mesmo, é impossível não se lembrar da ditadura militar. Quando uma pátria estrangulada pediu ajuda para seus filhos, que não fugiram e colocaram o bem estar de sua mãe, acima do seu.

Muitos foram torturados, muitos foram mortos. Jovens de 19 anos foram considerados criminosos perigosos e tratados com os rigores de um país sem lei, que aprendeu técnicas cruéis para arrancar confissões. Aqueles mais fortes agüentaram e se apoiaram em sua convicção para suportar tal violência.

Esses heróis sofreram para hoje não precisarmos calar a nossa voz. 
É possível pensar nisso sem que lágrimas venham aos nossos olhos? É possível escrever um blog ou um texto de denúncia sem lembrar daqueles que lutaram para isso?

Eu não consigo, pois também , nos meus 19 anos,servia ao Exército Brasileiro,  amarguei 41 dias de xadrez, simplesmente, por ter manifestado meu ponto de vista sobre o sistema que nos governava.

Não posso cometer o erro de ignorar a minha história, e quem sabe ter responsabilidades. O saber liberta e só existe liberdade com consciência.

Hoje recebo críticas, olhares de reprovação,  ironias de pretensos “sábios”,  e-mails criminalizando e ofendendo quem lutou para que eu estivesse aqui esinto medo de ainda estar na ditadura. Não na sua gestão de governo, mas na ditadura das mentes.

Vejo homens, que se dizem de bem, se levantando para apontar o dedo para aqueles que do seu sangue tiraram a nossa democracia. Vejo homens de Deus apontando o dedo para seus irmãos e dizendo que a violência contra eles é aceitável, que nossos companheiros não tem direitos por serem diferentes. Vejo a opinião pública se voltar contra as mulheres, com uma visão que minimiza o corpo delas a um objeto.

Porém, dentro do peito, eu sorrio e me encho de força, vejo que o dia da eleição chegou e o povo me mandou um recado dizendo “ levante sua voz sedenta e recomece andar, não pense que a sua cabeça agüenta se você parar”. Lembrei-me que somos uma democracia. Vejo que votamos em Dilma Rousseff.

Lembro que ainda há tempo de mostrarmos que não estamos mais em uma ditadura do pensamento, que podemos, enfim, acolher nossos heróis. Lembro que podemos fazer as pazes com nossa história e falar em alto e bom som que, terroristas são aqueles que usam o seu poder para ofender e enganar.

E finalmente, lembro que meu voto foi um abraço e um sorriso para essa mulher guerreira que lutou por mim, mesmo sem saber quem eu era. O meu voto, além de ser a aprovação de 28 milhões fora da miséria, é o voto de agradecimento aos meus antepassados e sua luta.

Quando tivemos uma mulher no governo do Brasil foi assinada a Lei Áurea.

Hoje precisamos libertar o nosso povo que disfarçados de cidadãos ainda são escravos da miséria, um grilhão tão cruel quanto.

Pela erradicação da miséria, pelo Brasil mais justo, pela luta de Zumbi, pela luta da independência, pelos heróis anônimos das revoltas populares, por nossos companheiros que lutaram na ditadura, pelos muitos que morreram, nesses últimos anos elegi a minha história.

É verdade, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”  Viva a história de luta do verdadeiro cidadão brasileiro.""

- Cleutemberg, em um domingo qualquer.

Registro aqui o conhecimento e todo o o contexto histórico que transformou meu velho pai em cidadão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário