segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Momentos . . .

Quando olho as estrelas nuas na noite fria percebo seu briho natural.
Onde estará o meu?
Continuo a caminhar numa estrada fria e escorregadia.
Cada pedra me faz chegar perto do chão,  levantar é quase impossível quando sinto o cheiro de terra.
Vontade de ficar ali e voltar a contemplar o céu com suas naturais misturas de cores e brilhos.
Deitada num chão lamacento a ver estrelas percebo minha grande inutilidade. O que devo fazer pra brilhar pra alguém?
Levanto e olho pra frente de minha estrada, já não reconheço seus detalhes.
O caminho muda por toda sua extensão, sinto frio.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Grandes palavras, pequenas ações . . .

"Torne-se aquilo que deseja pra os outros" - escutei essa afirmação da sombra que vive espreitando as colunas da faculdade. Jeito estranho de dizer que quer ser maltratado, ser polido pela sociedade de forma masoquista.
Quando nossos desejos são expostos, acabamos por mostrar as entranhas de podridão que habita a alma. Tudo que vemos de ruim fica marcado em cada ação involuntária do corpo.
Prefiro acreditar que podemos nascer do jeito que desejamos para o mundo com grande ajuda de nossos educadores. Formam a ética e caráter da alma e do coração.
Só precisamos ter consciência do quanto somos capazes disso.

Mentiras . . .

Abra uma lacuna na imensa cortina de sua imaginação, procure encontrar tudo pronto para as fantasias idealizadas e incansavelmente treinadas para não haver erros.
Coloque na realidade o que deseja que seja tomado como verdade - normalmente funciona - e todos estão felizes com a doçura e delicadeza dessa farsa que envolve seus olhos.
Todos estão acostumados com esses cenários e atores, quando percebem que o palco é feito somente pra impressionar ficam chocados com a realidade.
Máscaras e luzes são deixadas de lado, fecham as cortinas e acendem as luzes. Tudo criado nesse palco é deteriorado com cinzas e lágrimas.
A dor da sinceridade é a mais verdadeira e - com certeza - a mais dolorosa que rasga a alma.
Volte logo para o camarim e prepare novo personagem, sua platéia está ficando entediada.
Comece novo show e aguarde os aplausos.
Os meus cessaram faz tempo - agora recebo as flores.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

EU SOU . . .

EU ESCUTEI A HISTÓRIA,E

EU ACOMPANHEI A DOR,

EU ESTAVA LÁ NOS PENSAMENTOS.

TAMBÉM FUI PRA CADEIA SEM SABER O QUE ERAM GRADES.

EU SOU FILHA DE UMA TESTEMUNHA DA HISTÓRIA


""Dizem que quem não conhece a sua história, está condenado a repeti-la. Eu sempre fui apaixonado pela história, pela evolução dos modos de produção, pelas lutas de todos os povos por sua liberdade.
Eu me emociono quando leio Camões e o sacrifício daqueles que navegaram para o Brasil, “navegar é preciso”. Quando ouço a história dos escravos e quilombolas, das mãos que foram acorrentadas e trazidas contra sua vontade para construir a riqueza desta terra.

Desde a escola aprendemos sobre a luta pela liberdade dos escravos, pela república, e lá mesmo conhecemos nossos heróis: Zumbi, Tiradentes, Chico Mendes. Todos cidadãos brasileiros que não tiveram medo de colocar sua vida em risco por um ideal, um Brasil mais justo.

Na escola também aprendi nosso hino e sinto no peito quando canto “verás que um filho teu não foge à luta”. Sabemos desde pequenos que, aqueles que colocam o bem estar do país acima do seu próprio, são heróis.

Não é segredo que nossos heróis foram perseguidos e transformados em criminosos, caçados ou mortos. Por isso mesmo, é impossível não se lembrar da ditadura militar. Quando uma pátria estrangulada pediu ajuda para seus filhos, que não fugiram e colocaram o bem estar de sua mãe, acima do seu.

Muitos foram torturados, muitos foram mortos. Jovens de 19 anos foram considerados criminosos perigosos e tratados com os rigores de um país sem lei, que aprendeu técnicas cruéis para arrancar confissões. Aqueles mais fortes agüentaram e se apoiaram em sua convicção para suportar tal violência.

Esses heróis sofreram para hoje não precisarmos calar a nossa voz. 
É possível pensar nisso sem que lágrimas venham aos nossos olhos? É possível escrever um blog ou um texto de denúncia sem lembrar daqueles que lutaram para isso?

Eu não consigo, pois também , nos meus 19 anos,servia ao Exército Brasileiro,  amarguei 41 dias de xadrez, simplesmente, por ter manifestado meu ponto de vista sobre o sistema que nos governava.

Não posso cometer o erro de ignorar a minha história, e quem sabe ter responsabilidades. O saber liberta e só existe liberdade com consciência.

Hoje recebo críticas, olhares de reprovação,  ironias de pretensos “sábios”,  e-mails criminalizando e ofendendo quem lutou para que eu estivesse aqui esinto medo de ainda estar na ditadura. Não na sua gestão de governo, mas na ditadura das mentes.

Vejo homens, que se dizem de bem, se levantando para apontar o dedo para aqueles que do seu sangue tiraram a nossa democracia. Vejo homens de Deus apontando o dedo para seus irmãos e dizendo que a violência contra eles é aceitável, que nossos companheiros não tem direitos por serem diferentes. Vejo a opinião pública se voltar contra as mulheres, com uma visão que minimiza o corpo delas a um objeto.

Porém, dentro do peito, eu sorrio e me encho de força, vejo que o dia da eleição chegou e o povo me mandou um recado dizendo “ levante sua voz sedenta e recomece andar, não pense que a sua cabeça agüenta se você parar”. Lembrei-me que somos uma democracia. Vejo que votamos em Dilma Rousseff.

Lembro que ainda há tempo de mostrarmos que não estamos mais em uma ditadura do pensamento, que podemos, enfim, acolher nossos heróis. Lembro que podemos fazer as pazes com nossa história e falar em alto e bom som que, terroristas são aqueles que usam o seu poder para ofender e enganar.

E finalmente, lembro que meu voto foi um abraço e um sorriso para essa mulher guerreira que lutou por mim, mesmo sem saber quem eu era. O meu voto, além de ser a aprovação de 28 milhões fora da miséria, é o voto de agradecimento aos meus antepassados e sua luta.

Quando tivemos uma mulher no governo do Brasil foi assinada a Lei Áurea.

Hoje precisamos libertar o nosso povo que disfarçados de cidadãos ainda são escravos da miséria, um grilhão tão cruel quanto.

Pela erradicação da miséria, pelo Brasil mais justo, pela luta de Zumbi, pela luta da independência, pelos heróis anônimos das revoltas populares, por nossos companheiros que lutaram na ditadura, pelos muitos que morreram, nesses últimos anos elegi a minha história.

É verdade, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”  Viva a história de luta do verdadeiro cidadão brasileiro.""

- Cleutemberg, em um domingo qualquer.

Registro aqui o conhecimento e todo o o contexto histórico que transformou meu velho pai em cidadão.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Caindo . . .

Quando passamos a perceber o quanto somos substituíveis, mais queremos demonstrar nossa inutilidade. A sinceridade entra em nossos corações como um cravo, rasgando e dilacerando cada fibra de nossa musculatura.
Olhamos para nossos feitos e não encontramos quem somos, como chegamos ao ponto de ficarmos desfigurados no espelho?
Coloque suas suplicas nas margens desse rio corrente e cristalino, perceba que são meras ondas que refletem a luz externa e nunca você mesmo.
A verdade já não compõe nossa história e nossas necessidades.
Encontre a verdade olhando para o céu azul.
Refletirá tudo que menos almeja e mais necessita para respirar.
Quanto mais longe quer ficar da desgraça e vergonha, mais atraente ficará nossas fraquezas.
A fina corda que nos amarra a realidade é rompida por um grito de horror.
O medo de sempre estar na escuridão quebra o silêncio, não transpassa para o brilho do céu.
Coloque a vontade de ser verdadeiro com a necessidade de estar na Verdade.
Nunca se sentirá sozinho ou abandonado, mas também sempre estará na vergonha e desGraça do humanamente possível.
Estendemos a mão para não irmos tão fundo na humilhação de sermos humanos e errantes.
Quem estará pronto a assumir o perigo e risco de nos juntar do abismo?
Como seremos gratos ao que evitamos?
Assuma a escuridão do coração dilacerado e renove a vivência da Verdade no azul acima de sua cabeça.
Será que podemos?
Será que MERECEMOS?

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Chuva . . .

Mais uma vez me vejo na chuva, na rua, nua. 
Sem alma para vender, com lábios costurados sem nada a pronunciar. 
O gozo da água escorre nos olhos camuflando a dor da ausência, sinto a calma das nuvens.
Preenchem o céu, escondem a confidente da noite e as companhias brilhantes.
No caminho deserto encontro a morte, nem me olha.
Como sua companhia seria bem vinda, mas não posso chama-la.
Como todos, deve entrar no meu caminho e querer estar lá.
Em grandes correntes no peito, puxo as pescarias feitas pelo olhar e grandes sorrisos.
As mãos, envelhecidas e escuras de terra, tateiam o corpo a procura de conforto.
Uma luz, temporária, engana a vista com esperança envaidecida.
Trocamos olhares.
Me aquece, enxuga o corpo molhado, me faz sentir o peso e a leveza do orgasmo.
Volta com sua fumaça embranquecendo o ambiente.
Respirar não é mais possível.
Compartilha suas vontades, esconde seus batimentos.
Segue.
Volto a olhar a chuva e seus pingos cada vez mais grossos.
A queda desse líquido sobre os seios limpa os desejos.
Enfim, novamente só.
Puxo os grilhões, balançam delicadamente sem machucar.
Respingam um doce melado que arde na pele.
Sorrisos e gargalhadas enchem o caminho de sons deliciosos.
A chuva diminui seus pingos para escutar melhor a sutileza das palavras.
Escuto, longe e loucamente desesperada, palavras que iluminam os céus.
A confidente desfalece, a companhia brilhante diminui.
Das correntes seguem imagens distorcidas e coloridas.
Os lábios, já abertos de satisfação, pronunciam a felicidade.
"Levanta e me ama"
Desvio o olhar.
O caminho escurece e começa a chover novamente.
Contudo, sempre poderei encontrar a luz e felicidade nos grilhões.
Vão de meu coração até os olhos e sorrisos brilhantes das imagens coloridas a minha frente.
Estarão sempre me guiando para longe da estrada escura.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Retornando as cavernas . . .

Olá, faz bastante tempo que não entro nesse "diário" que criei com tanta empolgação. Espero ter a paciência de retornar com mais assiduidade as meus pensamentos.

Para marcar essa volta, um texto interessante, palavras de um homem que sabe falar o que deve ser tido:

Veja como é de verdade aquilo que lhes dizem ser verdade


Aqui fica minha contribuição de hoje. Abraços.